domingo, 10 de abril de 2016

"Donde um que ensine uma falsa doutrina não pode fazer milagres" (Santo Tomás de Aquino)


Ninguém faz verdadeiros milagres contra a fé, já que Deus não é testemunha de falsidades

Julgo muito interessante o texto a seguir a fim de esclarecer sobre os falsos milagres. É o comentário de ninguém menos que Santo Tomás de Aquino sobre a Segunda Epístola de São Paulo aos Tessalonicences, mais especificamente sobre o Anticristo. O texto completo pode ser lido no blog Doctoris Angelici. Abaixo, transcrevo a parte que mais interessa no momento para que não nos deixemos enganar pelos falsos milagres da "igreja" conciliar

E [o Anticristo] enganará desta maneira: primeiro valendo-se do poder secular; segundo, da força dos milagres. Quanto ao primeiro diz: “com toda sorte de milagres”, a saber, do mundo. “Se fará dono dos tesouros de ouro e de prata e de todas as preciosidades de Egito” (Dan. 11,43). Ou com virtude fingida. Quanto ao segundo diz: “de sinais”. Os sinais são uma espécie de “milagretes”.* Os prodígios, entretanto são grandes, que demonstram que uma pessoa é um ser prodigioso, como quem diz à distância: distante, em dígitos: do dedo (Ap 13). E diz: “falsos prodígios”. Chama-se falso um milagre, ou porque lhe falta a verdadeira razão do fato, ou a verdadeira razão do milagre, ou o devido fim do milagre. O primeiro é o que fazem os ilusionistas, melhor dito, o que se faz por arte de magia e bruxaria, quando o diabo se encarrega de dar “gato por lebre” para que pareça outra coisa do que é; como fez Simão Mago com um carneiro que mandou degolar, que logo se deixou ver vivo; ou com um homem, que todos criam degolado e, por haver-lhe visto logo vivo, creram-lhe ressuscitado. E isto fazem os homens fazendo fantasmas na imaginação para enganar.

A segunda espécie de milagres, impropriamente chamados assim, são os que despertam grande admiração, por ver-se o efeito, sem conhecer-se sua causa. Assim pois “os milagres”, que tem não simplesmente sua causa oculta, senão para algum oculta, dizem-se não simplesmente milagres, senão maravilhas. Mas os que tem simplesmente sua causa oculta são propriamente milagres, cujo autor é o mesmo glorioso Deus, porque estão acima de toda a ordem da natureza criada. Mas algumas vezes se fazem algumas maravilhas, cujas causas estão ocultas, mas não fora da ordem da natureza; e isto com mais razão o fazem os demônios, que conhecem as virtudes da natureza e tem determinada eficácia para especiais efeitos; e estas fará o Anticristo, mas não as que tem verdadeira razão de milagre, porque não tem poder naquilo que está sobre a natureza.

Dizem-se milagres em terceiro lugar os que estão ordenados a servir de testemunho à verdade da fé, ou a subtrair os fiéis a Deus, como se diz em São Marcos. Mas se algum tivesse a graça de fazer milagres, e não se valesse deles para este fim, os milagres seriam verdadeiros quanto à razão do fato e à razão do milagre; mas seriam falsos quanto ao devido fim e à intenção divina.

Mas isto não sucederá com o Anticristo, porque ninguém faz verdadeiros milagres contra a fé, já que Deus não é testemunha de falsidades. Donde um que ensine uma falsa doutrina não pode fazer milagres, embora um homem de má vida bem o poderia.

Logo sinala aos que se deixaram enganar, ao dizer: “àqueles que se perderam”, isto é, aos destinados à perdição. “Nenhum deles tem perecido senão o filho da perdição”. E isto precisamente porque “minhas ovelhas ouvem minha voz” (Jo 10).

As palavras são tão claras, e com o peso da autoridade do Doutor Angélico, que não temos mais nada a acrescentar.


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